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Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010
projecto pontes de contacto

 

PDIII.2009.10.DeCA.UA

projecto em design III. licenciatura em design. 2º ano. 2º semestre. departamento de comunicação e arte. universidade de aveiro



projecto pontes de contacto


It's not about the world of design, but about the design of the world 

Bruce Mau, Massive Change

 


 

tema O design e a sua relação com as diferentes áreas cientificas no campus da Universidade de Aveiro.

 


 

enquadramento O design [1] é uma palavra polissémica, talvez demasiado polissémica, sobretudo por causa do seu entendimento anglo-saxónico. Mas, se assim é, então o que é o design? E que entendimento tem o design de si próprio? Será que existe, por parte dos diferentes actores com os quais a sua praxis se inter-relaciona, um verdadeiro entendimento sobre o que é e para que serve o design? Em que medida existirá, por parte do grande público, esse mesmo entendimento? E se fizermos a mesma pergunta em relação aos próprios profissionais do design e a todos  que se dizem designers? Que queremos dizer quando falamos em bom ou mau design?

    A origem etimológica da palavra design re mon ta ao latim. Klaus Kippendorff refere que «de signare, which means to mark out, set apart, give signifi cance by assigning it to a use, a user, or an owner.»[2] Design tem também a mesma origem de signo (“sign”e de designar (“designate”)«The sixteenth century English emphasized the purpo si veness of design, and because design often involved drawing, or “marking out”, the seventeenth century moved design closer to art. Based on these original meanings, one could say: design is making sense of things».[3] Victor Papanek sintetiza o design como «the conscious and intuitive effort to impose meaningful order.»[4] 

    Mas se "design" pode consistir numa acção de criar uma ordem que determina, trata-se também de uma palavra cujo significado mais abrangente na língua in g le sa contrasta com o âmbito tradicionalmente mais específico do seu uso em português, onde está normalmente reservada para objectos e práticas da disci pli na, conferindo usualmente ao objecto ou à acção que caracteriza uma dimensão estéti ca. Mas também atribui uma dimensão pragmática e funcional, caso contrário estaria na categoria da arte. No corrente uso anglo-saxónico do termo, apesar do ênfase implícito no significado e no próprio desenho da forma, a afectação à dimensão estética pode estar implícita, mas não necessariamente. Por seu lado, a palavra portuguesa "desenhar" (no sentido de dar forma auma representação, um objecto ou um pensa men to), tem um âmbito semelhante a "design" na língua inglesa. A mesma palavra, "desenho" é mais abrangente que a homóloga (drawing), que se refere ao desenho de representação, ao debuxo ou ao esboço. Assim, se em português nos poderíamos referir ao “dese nho de um circuito integrado, em inglês, diríamos “design of a chip”. Fátima Pombo e Francisco Providência em Versões das Coisas e Representação do Desejo referem que,«Atendendo à etimologia latina, desenho e desígnio são termos com uma origem comum. “Designatio” é a designação representada pelo desenho como plano, como forma ou como figura. A origem comum “Designiu” ganhou o significado de “desenho” (designatio) como representação gráfica, que pode ser projecto e o significado de “desígnio” (designium) que remete para um acto volitivo. Em português, ao contrário da tradição anglo-saxónica, em que “design” e “drawing” se reportam a manifestações opostas (projectar é diferente de retratar), “desenho” enraíza-se na origem latina de “desígnio” que é, longin quamente, a mesma origem de design.»

    De qualquer forma, o significado mais generalista do termo em inglês começa também a ser mais usado na língua portuguesa, sobretudo a partir do momento em que se afirma que em tudo há design e que tudo é design. No seu notável ensaio Design Como Problema,[5] José Bragança de Miranda, evoca esta tendência de se encarar o design como omnipresente, de que tudo é design, ou de apenas se observar o facto que, por ser tão óbvio, o abstraímos até ao esquecimento. «Um pouco por todo o lado começa a imperar o princípio de que «tudo é design, o design é tudo», dando consistência a afirmação de Vilém Flusser de que «Everything depends on design». O desi gner americano Paul Rand fala mesmo de um «dilúvio de design», que se expressa em logos e brandings de todo o género, pela moda do projecto, em objectos stylish, etc. Tudo isto é sintoma de uma mutação mais vasta. Basta constatar a pressão para o design genético, quer de animais quer de humanos, as novas próteses e implantes tecnológicos que penetram, rodeiam e mobilizam os corpos, os novos robots, o design ambiental e ecológico, para se intuir imediatamente que sob o glamour do design algo de mais radical está em curso[6]

    Não apenas tudo parece ser ou querer relacionar-se com design mas, como realça o psicólogo Donald Norman, conceptualmente falando: «we are all designers»[7]; como já o tinha feito Papanek em 1971 na abertura de Design for the Real World«All men are designers».[8] Com efeito, somos todos designers no sentido que a todo o momento nos deparamos com a necessidade de cuidar do nosso mundo sensível, ou de comunicar eficazmente uma ideia, de persuadir, ou de lidar com problemas cuja reflexão e abordagem possuem um caracter funcional e estético. No fundo, tal como os designers, as pessoas fazem constantemente escolhas estéticas, éticas e pragmáticas. Mas tal não significa que não haja a necessidade de designers profissionais e especializados...

    Conforme uma ideia de Vilém Flusser, Bragança de Miranda fornece-nos uma imag em clara e sintética do esta tuto do design: «O momento em que técnica e estética se fun dem é aquele em que domina o design[9] Por sua vez, Francisco Providência lembra que, antes de todas as ordens estéticas, técnicas, programáticas, prag má ticas, ou do desenho, «a vida é a única razão do design»[10]. Se se pode considerar o desenho como uma dimensão fundamental do ensino e praxis do design -- o pensamen to no, pelo e através do desenho --, deve-se entender fundamental a di men são cultural e o desígnio estético, ético e social do design. Providência sintetiza a intervenção do design como o «desenho de artefactos dispositivos e serviços de inter-mediação cultural». Inter-mediação cultural seria, neste caso, a "zona" na qual o design surge como entidade responsável pela articulação e síntese entre diferentes disciplinas e especialidades, o que o torna, à imagem da arquitectura, numa verdadeira meta-dis ciplina especializada na qualificação do ser humano e da forma como este se relaciona com o seu mundo. À imagem da arquitectura, a qualidade do design de um produto encontra-se quase sempre relacionada com a excelência da sua articulação com outras disciplinas e especiali dades técnicas. Dessa forma o design distingue-se «de outros projectos como os da arte ou os da engenharia; traba lhan do em par ce ria com outros técnicos, o design reserva para si a especifici dade não espe cializada, de produzir a síntese entre os diferentes inter locutores, tradu zindo-a em formas[11] Providência identifica ainda três entidades funda mentais, que formam os vértices do triângulo e que enquadram, do ponto de vista do design, o design de qualquer artefacto ou objecto técnico. Este modelo viria a servir de base à estrutura conceptual da licenciatura em De sign do Departamento de Comu nicação e Arte da Universidade de Aveiro.[12] «Neste uni verso das realizações materiais, das coisas, dos artefactos, encontramos três denomina dores comuns: um autor (um gestor / centro de coerência indivi dual ou colecti va), um pro gra ma (res pos ta a uma necessidade enunciada) e uma tecnologia (meio ope ra ti vo e material da sua cons tru ção). Na infinita variação de combinações, entre o grau de in fluên cia do autor, do pro grama e da tecnologia, encontramos a origem do perfil de varie da de dos arte factos que temos hoje.»[13]

    Se é certo que o design implica a viabilização de um programa através da tecnologia, antes de mais, a qualidade do design, tal como no caso da arquitectura, essencialmente assenta e recai na dimensão e qualidade da autoria, isto é, na qualificação interpretativa e propositiva de um autor, individual ou colectivo. Esse autor está, no entanto em estrita ligação e diálogo com um cliente (investidor) e demais especialistas das diversas áreas envolvidos na conceptualização e execução do projecto. Cultura, mundi-vidência, capacidade para reflectir, articular e compreender novos domínios e entrar em diálogo sinergético com diferentes disciplinas e áreas científicas; todos estes atributos são necessários a uma autoria competente, que definirá um programa de design e respectiva abordagem conceptual, identitária e técnica. Uma das actuais necessidades do design é superação da ultra-especialização do conhecimento cientifico que ocorreu no século passado, relacionando a consequente fragmentação, caótica, de forma holística com a realidade e os problemas da vida contemporânea. 

Preconiza-se assim um entendimento do design como uma actividade proponente de futuros modos de existência sustentáveis, nos quais as dimensões ética e estética sejam a sua perspectiva. Essa abordagem implica a necessidade de reconhecimento das suas potencialidades de reflexão cultural e estratégica sobre o futuro, tanto por parte da sociedade como das outras disciplinas com as quais estrategicamente se associará para realizar a sua acção. Uma abordagem ética e estética é uma proposição poética de um autor, individual ou colectivo, sobre o mundo futuro.

 

proposta Partindo de um entendimento do design enquanto actividade integradora de conhecimentos especializados no sentido da qualificação de mundos humanos (individuais e sociais), propõe-se recriar uma estratégia de aproximação e reconhecimento entre o design e a sua actividade no seio do campus da UA, tendo em conta as diversas áreas científicas que esta abrange. Esta acção visa fomentar uma cultura de aproximação do design às disciplinas das diversas áreas científicas através de um projecto de investigação/acção em torno do conhecimento que estas têm sobre o design e, vice-versa, da relação que o design pode assumir ao serviço de outras disciplinas.


objectivos Com a realização do projecto Pontes de Contacto pretende-se que os alunos adquiram uma consciência crítica sobre o significado contemporâneo do design, que apurem um entendimento sobre o que é investigação em e pelo design, e reflictam sobre a forma como essa investigação pode ser articulada com outras disciplinas. Por último, que sejam capazes de desenvolver, em conjunto, estratégias eficazes para dar corpo a essa reflexão através da realização uma exposição final, em que os trabalhos serão abertos ao exterior da aula: o espaço público. 

 

 


fase 1 investigação

 

Objectivos Realizar um levantamento in loco, nos vários departamentos sobre a relação do design com as outras áreas científicas da Universidade de Aveiro

 

Cronograma

8.Fevereiro.2010 | Anfiteatro João Branco | 14:00 turnos A+B| João Nunes, Nuno Dias > Lançamento do projecto "Pontes de Contacto" | Início do desenvolvimento da fase 1 do projecto "Pontes de Contacto"

22.Março.2010 11:00 às 16:00 turno A; 16:00 às 20:00 turno B | João Nunes > Entrega e apresentação fase 1

 

Objectos da entrega
Dossier de investigação (A4 - em PDF) do grupo e um slide show (máximo 5 minutos).


Avaliação

Esta fase corresponde a 10% da nota final 

 

 

turno A: grupos 1 ao 5 | turno B: grupos 6 ao 10

 


 

(Entretanto, a identidade do projecto e as propostas de aplicação a suportes será realizada na disciplina de Gestão do Design, com a supervisão da professora Olinda Martins, até 15 de Abril)

  

fase 2 síntese

Objectivos Com base na investigação efectuada na fase 1, desenvolver um conjunto de peças comunicacionais que estableçam pontes entre as várias disciplinas e o design.

 

Cronograma

12.Abril.2010 | Início do desenvolvimento da fase 2 do projecto Pontes de Contacto

No sentido de optimizar a qualidade final dos elementos que se destinarão à exposição final, far-se-ão duas apresentações prévias do material produzido (primeira pré-entrega). Os comentários dos professores deverão dar azo a uma reformulação da proposta, que poderá ser mais ou menos profunda consoante os casos.

10.Maio.2010 11:00 às 16:00 turno A; 16:00 às 20:00 turno B | João Nunes > primeira Pré-entrega

13.Maio.2010 | Nuno Dias, Olinda Martins > segunda pré-entrega

17.Maio.2010 | 11:00 às 16:00 turno A; 16:00 às 20:00 turno B | João Nunes, Nuno Dias, Olinda Martins > Entrega final e apresentação fase 2.


Objectos da entrega 

Suporte de comunicação do departamento. formato A3 + PDF.

Cartaz e instalação (site specific) para a exposição. Cartaz formato livre + Instalação formato A3.

Apresentação audiovisual. Máximo 5 min. Fazer uploud para plataforma digital do grupo e entregar em CD/DVD.

A apresentação audiovisual e o respectivo cartaz devem ser narrativos, contendo o argumento do encontro entre o design e a área científica investigação seleccionada. 

 

Cada grupo poderá propor o desenvolvimento de outros suportes. Essa intenção deverá ser comunicada e discutida com os docentes.

Todos os trabalhos devem ser submetidos no Moodle para respectivo arquivamento digital.


 

Avaliação

Esta fase corresponde a 20% da nota final 

 

 

fase 3 produção e exposição

 

Objectivos

Desenvolver um plano de exposição que contemple todos os materiais desenvolvidos no projecto Pontes de Contacto.

 

 

Cronograma

17.Maio.2010 | 11:00 às 16:00 turno A; 16:00 às 20:00 turno B | João Nunes, Nuno Dias, Olinda Martins > Lançamento da fase 3 do projecto Pontes de Contacto

7.Junho.2010 | 11h00 (todos os alunos) João Nunes, Nuno Dias, Olinda Martins > <font c



publicado por ndias às 03:42
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